quinta-feira, 25 de setembro de 2014

A DIMENSIONALIDADE DO PATRIMÔNIO. PATRIMÔNIO HISTÓRICO E A POPULAÇÃO LOCAL .

PATRIMÔNIO CULTURAL E A POPULAÇÃO LOCAL, a dimensionalidade do patrimônio.
Marcello Polinari, Curitiba 2007

Como disse em outro texto publicado neste Blog nem tudo que interessa histórica, artística, paleontológica ou ambientalmente para a maioria dum povo/população de um bairro ou cidade. uma dimensão sócio-cultural-ambiental-geo/politica, vai ter o mesmo valor para os concidadãos de um pais como o Brasil que é outra e que em sua maioria não convivem com este objeto, tradição de interesse local.
Por isso que os serviços de patrimônio se dividem em municipal, estadual, federal, universal/UNESCO. Cada qual cuida dos interesses de uma população e dimensão populacional e territorial.
Ainda escrevemos histórias e criamos monumentos como nos séculos XVIII E XIX para agregar nacionais numa pátria. Monumentos locais, estaduais, nacionais e mundiais. Mas, existem sentimentos de pertencer que agregam populações e  que vão além disto.
Outro fato ligado a pequenas dimensões populacionais, territoriais e políticas como os municípios com poucas décadas de idade é acharem que não tem historia, memória, patrimônio histórico e/ou ambiental porque se trata de uma unidade política relativamente nova. O erro esta em pensar que história são coisas velhas e que patrimônio se restringe apenas a velhos prédios ainda em pé. Parte deste erro compete a nós profissionais do patrimônio que não divulgamos quão amplo é o patrimônio histórico e ambiental para muito além das edificações. Outra parte cabe especificamente aos historiadores, nos quais me incluo, que não divulgam para a população que a história, como entendida hoje, não depende apenas de coisas velhas, mas do momento que acaba de passar e das tramas sociais , políticas, econômicas, ambientais que estão em andamento e nos envolvem hoje. Hoje entendo que História é a narrativa e interpretação dos seres humanos produzindo a si mesmo, as civilizações e moldando o planeta e suas dimensões como o ambientes coletivos. Assim sendo 5 minutos atrás é historia e as tramas de media e longa duração que moldam sociedades, éticas, políticas, ambientes estão ou deveriam estar no universo do discurso do historiador. O que as sociedades fazem consigo e com os ambientes é historia e não depende de idade, de velhice.
Assim um município  por sua emancipação como unidade política é jovem mas como dimensão populacional regional tem longa historia da qual fez e faz parte, o discurso o reci  historiográfico para estes municípios necessariamente passa pela historia de das famílias, do trabalho e da região, bem como que os grupos humanos fizeram na região para adaptar-se e o que fizeram com os biomas para adapta-los como ambientes para seus propósitos. Este discurso segue do geral para o particular (o território e povo do município) até a emancipação, após o que o discurso passa a verter do particular, as interações locais para o geral que são as interações regionais e em maiores dimensões/escalas.
Um exemplo é narrar como uma população diversa se reuniu numa região para transformar biomas em áreas (ambientes) financeiramente produtivas e como isso resultou na criação do município, feito isso passa-se a narrar as interações ambientais que ocorrem no criado município e como elas se relacionam com a região, o pais, os interesses mundiais.
Portanto, mesmo que um território e uma população tenham se emancipado politicamente num período recente eles tem historia social, política, ambiental, cultural ligadas num primeiro momento a região e mesmo emancipados não vão deixar de serem influenciados pela região e por outras dimensões interativas maiores. A emancipação politica não rompe com a história regional.

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